segunda-feira, 4 de junho de 2012

O Dono dos Olhos



Seus olhos são fundo e roxos e ele nem percebe a graça e beleza que eles possuem.
Seus olhos são fundos e carregam o amor em 3D.
Seus olhos são meu abrigo.
Seus olhos são meu forte, minha casinha de sapê.
Seus olhos tem armaduras que blindam e aumentam tudo ao redor.
Seus olhos são roxos e pretos, mas quando a claridade chega são chocolates amendoados.
Seus olhos são quatro e são dois.
Seus olhos são românticos, são sensuais, são espertos e maldosos.
Seus olhos são tímidos, inteligentes e ferozes.
Seus olhos são brilhantes e verdadeiros.
Seus olhos para mim não tem nada de feios.
Seus olhos são pequenos e carregam uma imensidão de certezas.
Seus olhos não tem nada de clichê e me ganham por inteira.
Como pode o dono dos olhos ser tão ousado para não gostar de olhos tão belos?
Só pode ser um Dinossauro mesmo.




Para Marcos Vinícius dono dos olhos que fazem o meu coração bater mais acelerado.


sábado, 21 de abril de 2012

Três Acordes


Desenferrujar os dedos da alma e da mão,
Dizem por aí que a música nos dá um pouco de chão.
Um pouco, só pouco, mais pouco, pra todo louco aberto de coração.

Com mais cordas vocais, o miocárdio e as teclas do teclado
Pode até ter o som da clarineta para dar um belo traço,
Com uma linda melodia para glamourizar esse novo belo compasso.

Mas no início e no fim das contas, toda tristeza, alegria e descabimento do mundo, cabem numa simples canção de três acordes...
Acorde
Acorde
Acorde
e uma barra dupla no final.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Caminhar para Voar



vou caminhar
tenho mais artérias que dor.
tenho mais dor que artérias.
tenho mais esperança que sonhos.
tenho mais atitude que esperança.
tenho mais caminhada que atitude.

possuo litros e litros de certezas e incertezas para escorrer com o suor.
possuo lindas asas, mas ainda não posso usar.

calço o tênis, visto a blusa e me disponho a caminhar.
quero sentir o vento, o movimento e interagir com a vida lenta ao meu redor.
as asas que eu tanto gosto, posso esperar para usar.

quero sentir, amar, perdoar, buscar, chorar, rir e ter reciprocidade plena na peregrinação.
quero sentir a alegria da leve brisa e a intensidade com que transpira a minha pele.
quero sentir a vida a cada passo lento.
quero sentir a mão quente e amiga a cada respiro e suspiro.
quero sentir o metal afastando as lembranças ruins a cada passo dado.

porque para viver e caminhar a insanidade basta.
e para voar a dois...para voar, o que basta?


quinta-feira, 8 de março de 2012

segunda-feira, 5 de março de 2012

MONSTROS


Meus sonhos tem um chamado rouco e insistente. São constantes, são presentes. Tristes e solitários. Em um mundo de fantasias em sépia, ou em preto e branco. Eles se fundem com a minha vida real. Pura realidade vivenciada. Na minha realidade falo com meus amigos imaginários. Em outras, falo sozinha. Palavras sem medida alcançam meus lábios cerrados e como água em barragens quebradas, elas escapam desorientadas. Fatiga essa tentativa de alcançar a sanidade, na verdade ela me irrita e desgasta. Demência, sim, acredite: sou uma cópia autenticada dela. Trago em mim espíritos psicóticos supra-evoluídos. Possuo os estigmas do tresvario: lacunas de credulidade, alegria em um pódio inalcançado, desconfiança nos que se promovem pessoas normais e olhos fixados no infinito mesmo que fite algo material, frívolo ou inexistente. E dia após dia desconheço as pistas deixadas pelo caos. A ebulição mais íntima que me toma e arrebata a todo o momento é presente na minha face, que não tem forças para deter aos mínimos feitiços da alma que não faz nada que ultrapasse suas vontades sempre fundadas em razões néscias e debilitadas. O último suspiro de sobriedade que me restara transmuta-se para a realidade de fumaça e essa passa a ser uma nuvem pesada, que visita meu mundo quimérico e faz tempestades de radiações cancerígenas sobre os meus sentimentos. O átomo solto e quebrado fui eu mesma, fator final dos meus princípios duvidosos e valores baixos, dos meus desejos levianos provenientes da desordem. Sou a carne cheia de nervos que resta no prato, sou migalhas da carne de quinta coberta de gordura que caiu de uma mesa qualquer. Se me engolires, infectarás as tuas entranhas com o gosto putrefato que é inerente a mim. Conquistei a excelência da insanidade, busco o primor da ironia e me realizo no silêncio. Os apuros me enjoam e a perfídia coloca os braços à minha volta como se buscasse dar o alento. Alimento-me da mais profunda tristeza e do mais denso sofrimento que faz morada em mim. O que me resta é tentar iludir-me acreditando que a lúcida sou eu e todos à minha volta padecem dos mais graves e incuráveis distúrbios. Abjuro a insensatez para que a ela não me atrele. Ilusão é a base mais sólida que há em mim, e os chamados insistentes da moral recebem de mim a surdez e a indiferença. Meus ruídos roucos e cavos sinalizam meu estado de espírito. Rejeito qualquer tipo de tratamento, pois sei que para mim não há cura porque em mim não há doença alguma. Sou a dualidade revelada, minhas sensações são as duas faces de uma moeda, o antagonismo encarnado, o paradoxo em pessoa, enfim, sou meu lado bom e lado mau. Assim sou eu com o desequilíbrio que faz morada à minha porta. Não existe lógica em nada que faço; é infundado dentro de si, desprovido de qualquer tipo de respaldo imaginado. Sou o resultado da frustração e da desilusão. Enfim, quando não encontrares mais esperança alguma em nada, quando nada puder ruir a não ser com exceção do teu debilitado fôlego vital, quando for escravo das circunstâncias e fores cruelmente rejeitado, quando te cansares das pessoas à tua volta, ou quiseres poupá-las de ti, serás invadido pela mesma essência que me compõe agora. Então finalmente te tornarás meu irmão gêmeo em espírito, terás o lumiar da insanidade como raios de sol penetrando às janelas da tua alma. Confundirás a todos com as tuas palavras, com as tuas ações e pensamentos. Só não aos novos parentes, humildes irmãos monstros zumbis ensandecidos. E as pessoas dirão que a tua essência é loucura, e o teu espírito é delírio.